Oncotô? Oncovô?

Oncotô? Oncovô?

o homem que não usava chinelo

8 de janeiro de 2010

O Homem que não usava chinelo

Ele subia a ladeira cansado
Ele vivia meio de lado com a vida
Dizia que não queria ser feliz
Só sorria com o sol e o com o mar
Chorava quando o céu ia fechar

E parava diante do tempo
Escondia suas rugas no bolso esquerdo
De uma calça sem cor
E uma camisa vestida sem jeito

Mantinha a estica como um fio de linha
Sempre comia o que tinha
E o que tinha era o resto da comida
Do buteco que era sempre expulso
Quando chegava o marido
da mulher com o maior coração do mundo

Ele gritava
era imundo
Era um absurdo
De tão tranqüilo
Em nem arrumar confusão
Era um doce
Um salgado
No máximo
Um estranho
Mas

Não tinha amigos, nem nada por perto
Era um homem que não usava chinelo

eduardo duzera

a mesa

19 de outubro de 2009

A mesa

não adianta insistir
você não sabe perdoar
você não sabe o que há
no meu coração

você não aprendeu a esquecer o passado
e joga tudo na cara
e eu jogo tudo pro alto

mas saiba que a mesa ainda está posta
com a sopa de legumes que você gosta
só não há um prato a mais aqui
só não há mais você em mim

você não aprendeu a esquecer o passado
e jogou tudo na cara
e eu joguei tudo pro alto

eduardo duzera

elefante

elefante

pela primeira vez
o dia vai amanhecer sem ele
sem sua caminhada
sem o saco de pão
e o assovio alto
e a palavra alta
no som máximo
na força maior daquele abraço
inesquecível

não mais a sinusite
o café amargo
o prato cheio
o refrigereco gelado
a cerveja simples
não mais o abraço
que era o máximo
e se tornou inesquecível.

para Oswaldo P. de Almeida

eduardo duzera

de longe

de longe

você agora mora no ar
e a cada vento vem nos visitar
vem de longe

quando soprar a solidão aí
pegue carona em nossas mãos
pra te confortar

a nossa casa é a saudade
mas sabe bem essa barbárie
já não faz tão bem

e foi
por não merecer
por não merecer
um mundo assim

você agora mora no ar
e a cada vento vem nos visitar
pra viver e acalmar
a lembrança.

para Lucas Vieira

eduardo duzera

gastão

Gastão

desempregado estou
falido eu sou
e se quiser fale comigo
eu ensino
como perder tudo na vida
em menos de um segundo

parece até um absurdo
mas é fácil assim
gastar tudo com bobeira
sem fazer um pé de meia
sem o dia de amanhã

e com mulher nem se fala
meu coração é muito mole
e minha cabeça vira um nó
antes mal acompanhado
do que só

eu até tentei melhorar
mas vi que com grana não dá
o que eu posso fazer
se dinheiro foi feito pra gastar

eduardo duzera

um elefante de estimação

14 de setembro de 2009

 

Um elefante de estimação

 

 

Ouve o som do ar

Essa chuva que não quer parar

De inundar São Paulo

 

Parece fechar as cortinas do seu teatro

Sua voz solta

Vai ser eterno

A poeira que move esse instante

 

Se o céu azul te espera

( engano meu )

Faz lembrar do nosso pulo no mar

Eu me afogar

Então…

 

Ouve o som do ar

Sua voz solta

Vai ser eterno.

eduardo duzera

* nos acolheu, ensinou muito, ensinou a admirar o som de um acordeon, fez o café com o gosto mais gostoso, entre outras tantas incontáveis coisa boas, me fez amar mais e mais o nosso Palmeiras. do caminhão zinho de madeira ao tombo no mar…você me fez rir toda a vida. Para você meu avô Oswaldo, meu elefante!

à dorê

À dorê

 

 

Sabe o que é?

Eu não consigo ser só de uma mulher.

 

Nada como um carinho diferente

As vezes um corpo quente

Me faz feliz

Ai se me faz!

 

Eu precisava que todo dia

Você me falasse isso

E eu acreditasse um pouco

No que ainda é possível

 

Sabe o que é?

Eu não consigo ser só de uma mulher.

eduardo duzera

na madrugada

Na madrugada

 

 

 

A vida agora é outro amor

A vida agora é outra, amor

A vida agora é Outra amor

 

A vida agora é outro olhar

A vida agora é outra, olhe lá!

 

A vida agora é um bem mais

Do que eu não vejo mais em você

 

A vida agora é um bem

Um beijo zen

É um cheiro sem

Sem saudades de você.

eduardo duzera

oír

Oír

 

Ouvi falar teu nome

E arrepiou o desejo

Discreto eu tenho medo

Pois bem sei dos meus erros

 

E não há nada que me faça mudar

E ser um outro caminho

E não viver nessa tortura

 

Ouvi falar teu nome

E quantas coisas boas me veio

Ao lembrar do jeito

Você ajeitando seus cabelos

 

Ah! Ouvi falar teu nome

 

E agora? Quando tudo é tão estranho?

E simples de se resolver

O que é? O que foi?

O que é que vai, aconteceu.

 

Ouvi falar teu nome e é tudo que tenho medo

Ouvi falar teu nome em bocas que mal sabem de nada

Ouvi falar teu nome em nossos segredos.

eduardo duzera

vermelha

Vermelha

 

Na sua festa

De casa nova

A esperança

Renova

P´ra gente poder brincar

Nesse novo quintal

Na varanda, na sala

Que me espera

Vermelha

De vontade de me amar

 

Na sua festa juízo sempre é bom

 

Guarda p´ra mim

O seu futuro é meu

 

E eu quero estar do seu lado

E mesmo calado

Na sua festa juízo sempre é bom

 

Guarda p´ra mim, seu futuro é meu

Guarda p´ra mim só esse cheiro que é seu.

eduardo duzera

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